quarta-feira, 28/10/2026

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Moradia próxima a data center nos EUA: o desafio do zumbido constante

A explosão da inteligência artificial está provocando uma corrida global por data centers, estruturas essenciais para o armazenamento e processamento de dados que alimentam desde pesquisas na internet até ferramentas de inteligência artificial. No…

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A explosão da inteligência artificial está provocando uma corrida global por data centers, estruturas essenciais para o armazenamento e processamento de dados que alimentam desde pesquisas na internet até ferramentas de inteligência artificial. No entanto, o avanço dessas tecnologias levanta preocupações para os moradores que vivem nas proximidades. A situação no condado de Loudoun, na Virgínia, ilustra bem esse dilema.

Com mais de 200 data centers, Loudoun se tornou o epicentro mundial dessa infraestrutura. Em uma reportagem do Fantástico, moradores da região relataram os impactos da expansão constante dessas instalações, que não param de crescer há 16 anos. Um dos principais problemas identificados é a proximidade dessas estruturas das áreas residenciais, que trazem consequências diretas para a qualidade de vida dos locais.

Entre os relatos, moradores como Lindsay, Greg e Jessica expressam sua insatisfação com a transformação em seus bairros, que antes eram tranquilas áreas verdes. Desde a construção de um novo complexo, o ruído e a fumaça se tornaram parte do cotidiano. Jessica destaca a diferença na operação deste centro, que gera sua própria energia e utiliza geradores a diesel, resultando em um barulho constante e poluição visível. “Quando os geradores funcionam, você sente o gosto de diesel no ar”, desabafa uma residente.

A situação gerou preocupações não apenas para os moradores, mas também para especialistas que analisam os impactos ambientais da operação dos data centers. Um estudo de Harvard sugere que a poluição em uma única instalação pode gerar custos de até US$ 99 milhões anuais em internações e mortes prematuras. Além disso, a crescente demanda por energia elétrica está forçando a construção de novas linhas de transmissão que cruzarão o estado da Virgínia, acirrado ainda mais o debate entre progresso tecnológico e saúde pública.

A resistência à expansão dos data centers é liderada por Vicky Woo, que vive na região há mais de 20 anos. Ela questiona a segurança da instalação de torres de transmissão muito próximas de sua casa e critica a falta de planejamento em relação à distância mínima das estruturas em relação às residências. “Não somos contra os data centers, mas eles não deveriam estar tão perto das casas”, afirma Vicky, que também se preocupa com o futuro das próximas gerações.

O debate sobre a localização e os impactos dos data centers não se restringe aos Estados Unidos. O Brasil, por exemplo, também está se preparando para receber investimentos nesse setor, com a recente aprovação do programa Redata, que oferece incentivos fiscais para novos empreendimentos. No entanto, detalhes sobre normas que regulamentem a distância mínima de áreas residenciais, controle de ruído e emissões ainda precisam ser definidos.

Enquanto governos e empresas buscam o equilíbrio entre inovação e responsabilidade, moradores de lugares como Loudoun enfrentam as consequências de um avanço tecnológico que, embora promissor, traz à tona questões fundamentais sobre saúde, segurança e qualidade de vida. “Me preocupo com o futuro que deixaremos para nossos filhos e netos”, reflete uma das residentes, expressando um sentimento que ecoa em muitas comunidades ao redor do mundo.