Com as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos se aproximando, a presença da inteligência artificial na propaganda política tem gerado tanto inovação quanto preocupação. Marcadas para o dia 3 de novembro, essas eleições estão sendo palco de uma batalha de informações, onde a tecnologia é utilizada para criar anúncios que, em muitos casos, carecem de autenticidade e clareza. O fenômeno, denominado “slopaganda”, mistura propaganda política com conteúdos de baixa qualidade gerados por IA, levantando sérias questões sobre a integridade do debate eleitoral.
Pesquisas apontam que tanto os republicanos quanto os democratas estão investindo nessa prática, mas os candidatos e grupos associados ao Partido Republicano estão à frente em termos de gastos. Um exemplo perturbador é um anúncio do democrata Abdul El-Sayed, que utiliza imagens e frases provocativas, como “Morte aos EUA”. Realçado por uma narrativa alarmante, o conteúdo gerado por IA apresenta uma imagem de El-Sayed ao lado de mulheres em véus, destinada a provocar reações adversas.
Embora o anúncio em questão tenha sido claramente rotulado como criado com o auxílio de inteligência artificial, esse não é o padrão. Um estudo do Wesleyan Media Project revelou que apenas 27% dos anúncios identificados informam o uso dessa tecnologia, dificultando a capacidade dos eleitores de discernir entre o que é autêntico e o que é manipulado. Até o momento, foram gastos mais de US$ 137 milhões em anúncios políticos com IA, um aumento significativo em relação a anos anteriores, quando os gastos mal alcançavam US$ 50 mil.
Com a ausência de regulamentação federal sobre a transparência no uso da inteligência artificial, alguns estados começaram a implementar suas próprias regras. O senador Jon Ossoff, por exemplo, expressou sua preocupação com essa prática, afirmando que ela pode minar a verdade no debate político. Ele pediu a remoção de um anúncio que insinuava, de forma enganosa, que ele estava “maquiando” seu relatório de prestação de contas, um exemplo claro de como a IA pode ser usada para distorcer a realidade.
Além disso, uma pesquisa recente mostrou que 73% da população considera inaceitável o uso de IA em campanhas eleitorais. Apesar do crescimento dessa forma de propaganda, especialistas alertam que a eficácia da “slopaganda” na influência do voto pode ser limitada. Em vez disso, ela pode ser mais eficaz em mobilizar eleitores e arrecadar fundos, revelando um cenário onde a quantidade de anúncios não necessariamente se traduz em impacto eleitoral real.
À medida que o dia das eleições se aproxima, a interseção entre tecnologia e política promete ser um dos temas mais debatidos. A necessidade de uma conversa honesta sobre o uso da inteligência artificial na propaganda eleitoral é mais urgente do que nunca, se quisermos preservar a integridade do processo democrático.


